Prezados, bom dia.
Segue abaixo lista dentre os mais conhecidos líderes de nossa religião. Meu objetivo não vou esgotar: se você conhecesse outros, por favor, insira nos comentãrios.
Dentre estes citados abaixo existem outras personalidades famosas do Candomblé no Brasil:
Bamboxê Obiticô
Rodolfo Martins de Andrade, tio Bamboxê, foi Babalawo (Sacerdote de Ifá), seu nome significa “aquele que segura o oxê”. Ele veio do reino Yorubá, na Nigéria, e fundou o Candomblé da Casa Branca com a sacerdotisa Iya Nassê. Sua filha Caetana Bamboxê de Oxum foi uma grande sacerdotisa de Ifá;
Mãe Aninha de Xangô
Anna Eugênia dos Santos, Yalorisà da Bahia, nasceu em 1869. Fundou o Ilê Axé Opô Afonjá, em 1910. Levou pessoalmente ao presidente Getúlio Vargas o pedido da comunidade afro-brasileira para que suas religiões e cultos deixassem de ser proibidos e perseguidos. Mãe Aninha tornou-se personagem do livro Capitães de Areia, de Jorge Amado. Ela morreu em 1938;
Pulquéria de Oxossi
Uma das fundadoras do Gantóis, mãe-de-santo líder na comunidade afro-brasileira. Quando Pulquéria morreu, foi substituída por Mãe Menininha;
Cipriano Abedé de Ogum
Africano. Era Babalorixá, Babalawo e também Babalossayn (Sacerdote de Ossayn). Abriu terreiro em Salvador e no Rio de Janeiro. Dizem que tinha o poder de transformar uma folha em outra. Faleceu em 1933;
João Abada de Omolu
Babalorixá do Rio de Janeiro. Uma de suas filhas-de-santo foi Tia Ciata, famosa por reunir em sua casa músicos como Donga, Pixinguinha e João da Bahia, entre outros, em alegres rodas de samba. Faleceu em 1926;
Tia Massi
Grande Yalorixá do terreiro “Casa Branca”. Essa filha de Oxum tinha o nome ritual Oin Funké. Iniciou um número considerável de Yalorixás de importantes terreiros no Brasil. Foi bastante citada por estudiosos e romancistas, inclusive Jorge Amado. Faleceu em 1967;
Mãe Senhora de Oxum
Mãe Bibiana do Espírito Santo comandou o Ilê Axé Opô Afonjá por muitos anos. Foi homenageada no Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã, como a “Mãe Preta do Brasil”. Faleceu em 1967;
Mãe Menininha do Gantóis de Oxum
Escolástica Maria da Conceição Nazaré foi uma das mais famosas Yalorixás do Brasil. Contribuiu para o Candomblé ser considerada uma religião respeitada. Mãe Menininha foi cantada por músicos e poetas. Faleceu em 1986;
Professor Agenor de Oxalá e Ewá
Agenor Miranda da Rocha nasceu na África em 1907. Com menos de quatro anos foi morar em Salvador. Ficou doente e foi desenganado pelos médicos. Consultada sobre a doença da criança, Mãe Aninha, do Ilê Axé Opô Afonjá, jogou os búzios e viu que o destino do menino era ser Oluô. A Yalorixá tratou de Agenor, que se recuperou e, quando fez cinco anos, foi iniciado no Candomblé.
Aos dezenove anos, ligou-se a casa-de-santo de Abedé, no Rio de Janeiro. Com mais de 90 anos, o professor Agenor é Babalorixá, Babalawo, Babalossayn. Ele está ligado a três grandes casas de candomblé de Salvador, o Gantóis, a Casa Branca do Engenho Velho e o Opô Afonjá. Quando morre uma Mãe-de-santo, ele é o único a ser chamado para realizar o jogo que escolhe quem vai comandar a casa-de-santo, pois ele é o único Oluwô da nação de Ketu no Brasil.
Blog atualizado por Ogan João de Ayrá, com textos, pontos, cantigas, e explicações sobre o Candomblé e Umbanda. Seja bem vindo!
Xango Ayrà
Kaô Kabiecilê!
terça-feira, 19 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
CAMINHADA OGUM ALTO TIETE 2011
Pessoal, bom dia.
Estarei postando essa semana fotos da bela caminhada realizada ontem para Ogum.
Mesmo com a virada cultural, tivemos ótimo público, ótimo tempo, e muito asè!
Preciso dizer que gostei? :)
Parabéns e cada participante, cada simpatizante presente, mas especialmentw ao Luz da manhã e ao Mestre Quim, pela coragem de 'por o santo na rua'.
Obrigado aos Ogans do meu Ile, Sandro e Marcelinho, pois ontem fui surpreendido positivamente por vocês.
Meu amor e minha família: mais uma vez mostraram o quanto são capazes; aos irmãos de Ile muito asè pela participação ativa.
Peço perdão se esqueci de alguém, mas também se sinta homenageado e agradecido por sua colaboração.
Asè a todos e que Ogum permita que estejamos todos juntos no próximo ano!
Estarei postando essa semana fotos da bela caminhada realizada ontem para Ogum.
Mesmo com a virada cultural, tivemos ótimo público, ótimo tempo, e muito asè!
Preciso dizer que gostei? :)
Parabéns e cada participante, cada simpatizante presente, mas especialmentw ao Luz da manhã e ao Mestre Quim, pela coragem de 'por o santo na rua'.
Obrigado aos Ogans do meu Ile, Sandro e Marcelinho, pois ontem fui surpreendido positivamente por vocês.
Meu amor e minha família: mais uma vez mostraram o quanto são capazes; aos irmãos de Ile muito asè pela participação ativa.
Peço perdão se esqueci de alguém, mas também se sinta homenageado e agradecido por sua colaboração.
Asè a todos e que Ogum permita que estejamos todos juntos no próximo ano!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
CARGOS (OLOYES) PERTENCENTES AO CANDOMBLÉ DA NAÇÃO KETO
Iyalorixá / Babalorixá Mãe ou Pai de Santo é o posto mais elevado do Ilê; tem a função de iniciar e completar o ato de iniciação dos eléguns.
Iyalaxé Mãe do axé, a que zela e distribui o axé no Ilê.
Iyakekere /
Babakekere Mãe pequena ou Pai pequeno do axé. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê.
Pedigan Herdeiro do Axé do Ilê. Sendo este confirmado após o falecimento do Pai ou Mãe de Santo, pelo Oluwô.
Ojubonã É a mãe criadeira. Responsável pelos cuidados para com o yawô, durante as feituras.
Iyaefun / Babaefun Responsável pela pintura dos yawôs.
Iyamoro Responsável pelo Ipadê de Exú.
Iyadagan Auxilia nos dias de fundamentos como também nos xirês de orixás. Pode ajudar a Iyamoro e vice-versa. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.
Iyabassé Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Todos Oloyes podem auxilia-la, mas será ela a única responsável por esta função. Sendo este cargo de muita importância
Babalossayn Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.
Axogun Responsável pelos sacrifícios. Não pode errar. Responsável direto pelos sacrifícios do inicio ao fim do ato. Deve ser chamado de Pai.
Alagbê Responsável pelos toques e cantigas rituais, alimentação, conservação e preservação dos Ilùs, os instrumentos musicais sagrados. Deve ser chamado de Pai.
Kalofé Responsável pela função de cantar o Candomblé e marca-lo com o Gan.
Pejigan Primeiro Ogan a ser feito na casa.
Àjòiè Responsável por cuidar dos Orixás (Ibás e Incorporados), auxiliar nos eventos (orôs e xirês) e zelar pelo bom andamento do Ilê. Ekéde. Deve ser chamada de Mãe.
Oluwô Sacerdote da Nação de Keto próprio para exercer a função de confirmar o herdeiro da casa após o falecimento do pai e/ou mãe de santo. No Brasil temos o Profº Agenor Miranda Rocha, Pai Agenor.
Babalawo Um Babalawo, ou Pai dos segredos (awô) é muito respeitado pela cultura yorubá. O Babalawo, como o nome diz, é o conhecedor de todos os mistérios e segredos no culto a Orunmilá, sendo, portanto Sacerdote de Ifá. Somente o Babalawo pode manipular o Rosário de Ifá que em yorubá recebe o nome de opele-ifá.
Ebomy Cargo conseqüente por atingir os sete anos de feitura.
Iyalaxé Mãe do axé, a que zela e distribui o axé no Ilê.
Iyakekere /
Babakekere Mãe pequena ou Pai pequeno do axé. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê.
Pedigan Herdeiro do Axé do Ilê. Sendo este confirmado após o falecimento do Pai ou Mãe de Santo, pelo Oluwô.
Ojubonã É a mãe criadeira. Responsável pelos cuidados para com o yawô, durante as feituras.
Iyaefun / Babaefun Responsável pela pintura dos yawôs.
Iyamoro Responsável pelo Ipadê de Exú.
Iyadagan Auxilia nos dias de fundamentos como também nos xirês de orixás. Pode ajudar a Iyamoro e vice-versa. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.
Iyabassé Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Todos Oloyes podem auxilia-la, mas será ela a única responsável por esta função. Sendo este cargo de muita importância
Babalossayn Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.
Axogun Responsável pelos sacrifícios. Não pode errar. Responsável direto pelos sacrifícios do inicio ao fim do ato. Deve ser chamado de Pai.
Alagbê Responsável pelos toques e cantigas rituais, alimentação, conservação e preservação dos Ilùs, os instrumentos musicais sagrados. Deve ser chamado de Pai.
Kalofé Responsável pela função de cantar o Candomblé e marca-lo com o Gan.
Pejigan Primeiro Ogan a ser feito na casa.
Àjòiè Responsável por cuidar dos Orixás (Ibás e Incorporados), auxiliar nos eventos (orôs e xirês) e zelar pelo bom andamento do Ilê. Ekéde. Deve ser chamada de Mãe.
Oluwô Sacerdote da Nação de Keto próprio para exercer a função de confirmar o herdeiro da casa após o falecimento do pai e/ou mãe de santo. No Brasil temos o Profº Agenor Miranda Rocha, Pai Agenor.
Babalawo Um Babalawo, ou Pai dos segredos (awô) é muito respeitado pela cultura yorubá. O Babalawo, como o nome diz, é o conhecedor de todos os mistérios e segredos no culto a Orunmilá, sendo, portanto Sacerdote de Ifá. Somente o Babalawo pode manipular o Rosário de Ifá que em yorubá recebe o nome de opele-ifá.
Ebomy Cargo conseqüente por atingir os sete anos de feitura.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
NOTA ESCLARECIMENTO POST SOBRE ASSASSINO REALENGO
Hoje minha postagem será curta.
Apenas venho esclarecer que JAMAIS disse ser favorável ao assassino; apenas estou dizendo que ele precisa de muita oração...
Se alguém tem alguma dúvida é só ver os videos e cartas, tão bem aproveitados pela mídia.
Asè
Apenas venho esclarecer que JAMAIS disse ser favorável ao assassino; apenas estou dizendo que ele precisa de muita oração...
Se alguém tem alguma dúvida é só ver os videos e cartas, tão bem aproveitados pela mídia.
Asè
quarta-feira, 13 de abril de 2011
ASESE
Olá a todos.
Algumas pessoas, após ler o post polêmico de ontem, ficaram me perguntando sobre o que seria o asese. Portanto, resgatei o texto abaixo que certamente irá auxiliar na compreensão.
Não há nenhum erro em afirmar que o axexê (àsèsè) é a cerimônia fúnebre do Candomblé, mas é preciso acrescentar que o axexê é acima de tudo, uma celebração da vida e apenas encontra a morte a seu pretexto. A morte de qualquer membro da comunidade do Candomblé implica na realização desse ritual fúnebre, cuja finalidade é desfazer o assentamento do ORI e os vínculos com o Orixá pessoal, significando desfazer, também, os vínculos com todos os membros do barracão e despachar o EGUN do morto, para que o mesmo deixe a Terra e vá para o ORUN.
Estas fases acima são as que permeiam a iniciação ao Candomblé.
Nesta religião existem muitos recursos e alguns deles são, os oráculos, as oferendas, os defumadores, os banhos e as ervas medicinais, estes recursos também são usados para resolver problemas do quotidiano dos fiéis. Na África, onde o Orixá era cultuado dentro da casa da família, as pessoas iam todos os dias ao sacerdote, que fazia um jogo para ver o que o Orixá dizia sobre os acontecimentos do dia da pessoa. Acontecimentos especiais, como viagens e negócios, pediam consultas especiais. Sempre o sacerdote fala uma orientação sobre o que a pessoa deveria fazer naquele dia para anular uma influencia ruim e atrair o favor dos deuses. Embora hoje não exista mais essa facilidade de contato quotidiano com a religião, os oráculos ainda são o grande recurso a que as pessoas recorrem quanto têm algum problema difícil de resolver.
Os pais e mães-de-santo (Babalorixás e Yalorixás) são os mais altos sacerdotes na hierarquia do Candomblé. Na religião mais tradicional existe uma nítida separação entre as atribuições de homens e mulheres (embora hoje em dia esta norma seja bem mais flexível).
Os (as) filhos (as) – de – santo são responsáveis diretos (as) pelo cuidado cotidiano com os Orixás: são eles (as) que “viram no santo”, trazendo para o meio dos vivos, através do próprio corpo, as divindades protetoras;
Dentro da hierarquia do Candomblé há diversos cargos no qual serão citados em um quadro explicativo, após este artigo. Ainda sim se é ressaltada a presença e a importância dos Ogans e das Ekédes sendo estes considerados servos sagrados dentro da religião, são cargos natos, ou seja, já nascem com essa missão, ao contrário dos outros cargos que são confiados pelos Orixás devido à devoção e dedicação a casa de santo. Tratando-se de Ogans e Ekédes na Umbanda serão encontrados como sendo os atabaqueiros e as cambones, e também dentro desta religião ainda desenvolvem um papel importante, tendo a função de observar os trabalhos enquanto o Zelador ou Zeladora encontra-se incorporado por uma das entidades chefes da casa, como também tocar para que se manifestem as entidades (Atabaqueiros) e servindo as entidades (Cambones).
Algumas pessoas, após ler o post polêmico de ontem, ficaram me perguntando sobre o que seria o asese. Portanto, resgatei o texto abaixo que certamente irá auxiliar na compreensão.
Não há nenhum erro em afirmar que o axexê (àsèsè) é a cerimônia fúnebre do Candomblé, mas é preciso acrescentar que o axexê é acima de tudo, uma celebração da vida e apenas encontra a morte a seu pretexto. A morte de qualquer membro da comunidade do Candomblé implica na realização desse ritual fúnebre, cuja finalidade é desfazer o assentamento do ORI e os vínculos com o Orixá pessoal, significando desfazer, também, os vínculos com todos os membros do barracão e despachar o EGUN do morto, para que o mesmo deixe a Terra e vá para o ORUN.
Estas fases acima são as que permeiam a iniciação ao Candomblé.
Nesta religião existem muitos recursos e alguns deles são, os oráculos, as oferendas, os defumadores, os banhos e as ervas medicinais, estes recursos também são usados para resolver problemas do quotidiano dos fiéis. Na África, onde o Orixá era cultuado dentro da casa da família, as pessoas iam todos os dias ao sacerdote, que fazia um jogo para ver o que o Orixá dizia sobre os acontecimentos do dia da pessoa. Acontecimentos especiais, como viagens e negócios, pediam consultas especiais. Sempre o sacerdote fala uma orientação sobre o que a pessoa deveria fazer naquele dia para anular uma influencia ruim e atrair o favor dos deuses. Embora hoje não exista mais essa facilidade de contato quotidiano com a religião, os oráculos ainda são o grande recurso a que as pessoas recorrem quanto têm algum problema difícil de resolver.
Os pais e mães-de-santo (Babalorixás e Yalorixás) são os mais altos sacerdotes na hierarquia do Candomblé. Na religião mais tradicional existe uma nítida separação entre as atribuições de homens e mulheres (embora hoje em dia esta norma seja bem mais flexível).
Os (as) filhos (as) – de – santo são responsáveis diretos (as) pelo cuidado cotidiano com os Orixás: são eles (as) que “viram no santo”, trazendo para o meio dos vivos, através do próprio corpo, as divindades protetoras;
Dentro da hierarquia do Candomblé há diversos cargos no qual serão citados em um quadro explicativo, após este artigo. Ainda sim se é ressaltada a presença e a importância dos Ogans e das Ekédes sendo estes considerados servos sagrados dentro da religião, são cargos natos, ou seja, já nascem com essa missão, ao contrário dos outros cargos que são confiados pelos Orixás devido à devoção e dedicação a casa de santo. Tratando-se de Ogans e Ekédes na Umbanda serão encontrados como sendo os atabaqueiros e as cambones, e também dentro desta religião ainda desenvolvem um papel importante, tendo a função de observar os trabalhos enquanto o Zelador ou Zeladora encontra-se incorporado por uma das entidades chefes da casa, como também tocar para que se manifestem as entidades (Atabaqueiros) e servindo as entidades (Cambones).
terça-feira, 12 de abril de 2011
ONDE ESTÁ O ASSASSINO DO REALENGO?
Olá meus amigos!
Hoje sim vou tratar de um assunto muito delicado. Gostaria de esclarecer desde já que essa é MINHA OPINIÃO, não gerando qualquer ligação com a casa que freqüento, ou com as opiniões da religião como um tudo.
Talvez minha profissão (advogado) vai me ajudar muito nesse momento, pois irei separar bem a razão da emoção, já que nesse último campo deixo minha nota de repúdio: se você é uma pessoa que está à beira do abismo ou da loucura, procure uma religião, seja qual for, e se trate com um psicólogo.
Mas vamos lá... onde será que está agora o assassino de 12 crianças inocentes, imaculadas, já que alguns relatam que ele procurava virgens para executar?
Ardendo no inferno deve ser a opinião da maioria dos senhores...
Pois bem, vou relatar MINHA opinião frente a tudo aquilo que aprendi.
Onde estará na visão da Umbanda?
Conforme aprendi, mesmo seres como esse que acabou por regredir muito ao cometer tantos atos de atrocidade, contra si (suicídio e reclusão fugindo de seus problemas) e contra outros (agravados por se tratarem de seres inocentes que ainda tinham muito que cumprir nessa passagem terrena), terá uma oportunidade, após muito sofrimento, para evoluir.
Ora... você lendo isso pode estar até com raiva de mim, mas não cabe a nós julgarmos as pessoas e seus atos. Ele estará acompanhando o sofrimento de todas as famílias, bem como de suas próprias vítimas, que passarão por um estágio muito complexo de evolução também: o de perdoar.
“Perdoar é divino” diz o ditado popular e realmente é fácil falar para quem não está sofrendo o que essas famílias, e as vitimas, estão passando. Mas, o verdadeiro Cristão Umbandista sabe que tanto quanto as vítimas, o próprio ser que realizou esses atos precisa, e merece, oração.
O tempo que ele precisará para evoluir frente aos dois desvarios que ele teve nessa vida terrena já será suficiente para ele ser uma pessoa digna literalmente de pena, pois diferentemente do que ele próprio imaginava, aquela situação não terminou ali.
Talvez gerações e gerações de vidas serão remexidas por todo o ato de loucura: os espíritos que aguardavam a fase adulta dessas crianças para virem como seus filhos; os espíritos já reencarnados para amar e perdoá-los; todos esses tiveram sua vida terrena prejudicada e também precisarão saber perdoar esse ser.
Os sofrimentos que ele terá, inclusive até entender o que de fato vez, talvez não se compare ao que ele irá sofrer quando tiver a compreensão de todos os atos praticados e quantas vidas destruídas.
Acredito que fatalmente ele não terá permissão para vir em qualquer linha que seja (diferentemente do que muitos pensam no que tange a linha de “Exu”), pois seus atos de crueldade e desequilíbrio não permitirão que ele avance degraus de luz dessa forma.
Portanto, só resta em minha opinião, a sua família, e todas as pessoas que lêem esse post, rezarem para que ele possa entender de forma mais breve possível os atos que praticou para que possa voltar a caminhar para a luz.
Se você ainda se julga tão superior a ele, olhe para o lado e veja quanta discriminação (como minha religião tem) você deixou passar, ou até se divertiu com ela. Ele necessitava de ajuda como muitas pessoas ainda necessitam.
Veja: eu também fui vitima de muito preconceito: religioso; estética; profissional, mas felizmente sempre soube lidar com isso! (e como soube!!!) Mas nem todos possuem a mesma base que eu tive.
Portanto, em minha opinião, OREM.
PS: vejam que essa opinião se aproxima, em muito, com a opinião Kardecista, pois em minha concepção conceitos de vida e morte na Umbanda esbarram muito nesses ensinamentos, pois minha base foi nas palavras de Caboclo, que sempre me ensinaram o que expus acima.
Onde estará na visão do Candomblé?
Aqui, antes de adentrar no mérito da questão, gostaria de postar parte do comentário do Ogan Buda, grande amigo, após questioná-lo sobre isso:
CASO FOSSE o rapaz iniciado, nem mesmo o ato do asese poderia ser realizado, já que esse não é permitido aos suicidas, pois apenas Olodunmare tem o poder de tirar a vida.
Concordo com a sua tese, e mesmo não sendo iniciado, em relação ao Candomblé, temos um culto de ANCESTRALIDADE, ou seja, seus antepassados fatalmente virão o que ele cometeu e devem estar, mesmo em um estado maior de evolução, com um sentimento misto de pena e ódio, já que foram marcados (até que me provem o contrário) por tamanho ato de crueldade.
Em minha concepção, nesse momento ele esteja vagando, e assim poderá ficar por muito tempo ou eternamente, como um verdadeiro “encosto”, já que nunca terá discernimento completo de tudo que cometeu e terá possibilidade de não ser aceito entre seus ancestrais.
Mas também poderá haver a perdão, e novamente oração, é algo que ele necessitará e muito! As vitimas, ainda mais por serem inocentes, certamente serão acolhidas entre os seus e após tratadas as feridas poderão viver no Itun La.
Vejam novamente que meu texto induz a uma maior necessidade de oração ao chamado de “monstro” ao invés das vítimas. E isso não é por acaso... é difícil julgar seres humanos como nós; em minha carreira profissional vi muitas pessoas normais estarem em situações que jamais imaginariam (não sei porque mas me recordo do filme Jogos Mortais nesse momento...) e não cabe a nós espíritas julgarmos.
Irmãos, sei que o assunto é polemico e meu texto poderá dar uma reviravolta em seus pensamentos... será que isso não é o melhor?
Axé a todos nós, e que Ayra afaste esses tipos de pensamento na mente de todas as pessoas que vivem nesse mundo.
Hoje sim vou tratar de um assunto muito delicado. Gostaria de esclarecer desde já que essa é MINHA OPINIÃO, não gerando qualquer ligação com a casa que freqüento, ou com as opiniões da religião como um tudo.
Talvez minha profissão (advogado) vai me ajudar muito nesse momento, pois irei separar bem a razão da emoção, já que nesse último campo deixo minha nota de repúdio: se você é uma pessoa que está à beira do abismo ou da loucura, procure uma religião, seja qual for, e se trate com um psicólogo.
Mas vamos lá... onde será que está agora o assassino de 12 crianças inocentes, imaculadas, já que alguns relatam que ele procurava virgens para executar?
Ardendo no inferno deve ser a opinião da maioria dos senhores...
Pois bem, vou relatar MINHA opinião frente a tudo aquilo que aprendi.
Onde estará na visão da Umbanda?
Conforme aprendi, mesmo seres como esse que acabou por regredir muito ao cometer tantos atos de atrocidade, contra si (suicídio e reclusão fugindo de seus problemas) e contra outros (agravados por se tratarem de seres inocentes que ainda tinham muito que cumprir nessa passagem terrena), terá uma oportunidade, após muito sofrimento, para evoluir.
Ora... você lendo isso pode estar até com raiva de mim, mas não cabe a nós julgarmos as pessoas e seus atos. Ele estará acompanhando o sofrimento de todas as famílias, bem como de suas próprias vítimas, que passarão por um estágio muito complexo de evolução também: o de perdoar.
“Perdoar é divino” diz o ditado popular e realmente é fácil falar para quem não está sofrendo o que essas famílias, e as vitimas, estão passando. Mas, o verdadeiro Cristão Umbandista sabe que tanto quanto as vítimas, o próprio ser que realizou esses atos precisa, e merece, oração.
O tempo que ele precisará para evoluir frente aos dois desvarios que ele teve nessa vida terrena já será suficiente para ele ser uma pessoa digna literalmente de pena, pois diferentemente do que ele próprio imaginava, aquela situação não terminou ali.
Talvez gerações e gerações de vidas serão remexidas por todo o ato de loucura: os espíritos que aguardavam a fase adulta dessas crianças para virem como seus filhos; os espíritos já reencarnados para amar e perdoá-los; todos esses tiveram sua vida terrena prejudicada e também precisarão saber perdoar esse ser.
Os sofrimentos que ele terá, inclusive até entender o que de fato vez, talvez não se compare ao que ele irá sofrer quando tiver a compreensão de todos os atos praticados e quantas vidas destruídas.
Acredito que fatalmente ele não terá permissão para vir em qualquer linha que seja (diferentemente do que muitos pensam no que tange a linha de “Exu”), pois seus atos de crueldade e desequilíbrio não permitirão que ele avance degraus de luz dessa forma.
Portanto, só resta em minha opinião, a sua família, e todas as pessoas que lêem esse post, rezarem para que ele possa entender de forma mais breve possível os atos que praticou para que possa voltar a caminhar para a luz.
Se você ainda se julga tão superior a ele, olhe para o lado e veja quanta discriminação (como minha religião tem) você deixou passar, ou até se divertiu com ela. Ele necessitava de ajuda como muitas pessoas ainda necessitam.
Veja: eu também fui vitima de muito preconceito: religioso; estética; profissional, mas felizmente sempre soube lidar com isso! (e como soube!!!) Mas nem todos possuem a mesma base que eu tive.
Portanto, em minha opinião, OREM.
PS: vejam que essa opinião se aproxima, em muito, com a opinião Kardecista, pois em minha concepção conceitos de vida e morte na Umbanda esbarram muito nesses ensinamentos, pois minha base foi nas palavras de Caboclo, que sempre me ensinaram o que expus acima.
Onde estará na visão do Candomblé?
Aqui, antes de adentrar no mérito da questão, gostaria de postar parte do comentário do Ogan Buda, grande amigo, após questioná-lo sobre isso:
CASO FOSSE o rapaz iniciado, nem mesmo o ato do asese poderia ser realizado, já que esse não é permitido aos suicidas, pois apenas Olodunmare tem o poder de tirar a vida.
Concordo com a sua tese, e mesmo não sendo iniciado, em relação ao Candomblé, temos um culto de ANCESTRALIDADE, ou seja, seus antepassados fatalmente virão o que ele cometeu e devem estar, mesmo em um estado maior de evolução, com um sentimento misto de pena e ódio, já que foram marcados (até que me provem o contrário) por tamanho ato de crueldade.
Em minha concepção, nesse momento ele esteja vagando, e assim poderá ficar por muito tempo ou eternamente, como um verdadeiro “encosto”, já que nunca terá discernimento completo de tudo que cometeu e terá possibilidade de não ser aceito entre seus ancestrais.
Mas também poderá haver a perdão, e novamente oração, é algo que ele necessitará e muito! As vitimas, ainda mais por serem inocentes, certamente serão acolhidas entre os seus e após tratadas as feridas poderão viver no Itun La.
Vejam novamente que meu texto induz a uma maior necessidade de oração ao chamado de “monstro” ao invés das vítimas. E isso não é por acaso... é difícil julgar seres humanos como nós; em minha carreira profissional vi muitas pessoas normais estarem em situações que jamais imaginariam (não sei porque mas me recordo do filme Jogos Mortais nesse momento...) e não cabe a nós espíritas julgarmos.
Irmãos, sei que o assunto é polemico e meu texto poderá dar uma reviravolta em seus pensamentos... será que isso não é o melhor?
Axé a todos nós, e que Ayra afaste esses tipos de pensamento na mente de todas as pessoas que vivem nesse mundo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
A RELIGIÃO: CANDOMBLÉ
Os povos africanos trazidos para o Brasil como escravos entre os séculos XVI e XIX, os mais importantes para a formação da cultura nacional afro-brasileira foram os Yorubás e os Bantus, oriundos, respectivamente, das bacias dos Rios Níger (atual Nigéria) e Congo (atual Congo e Angola). Esses povos possuíam uma estrutura social e econômica muito complexa e avançada. Organizados em Reinos que ocupavam vastas áreas divididas em províncias, distritos e aldeias, tinham uma estrutura sofisticada de comunicações, manufatura (inclusive metalurgia), comércio (inclusive com povos de regiões distantes), finanças, governo e força militar. Um traço característico desses povos era a organização de tendência matriarcal das aldeias, que se refletia em sua religião. Muito organizada rica e complexa, a religião desses povos contava com dois tipos de hierarquia sacerdotal: as mulheres eram responsáveis pelo contato direto com os deuses, através do êxtase ritual e dos cuidados do templo; os homens cuidavam da adivinhação e da cura. Os ritos fúnebres do culto dos ancestrais eram separados do culto dos deuses, que são forças da natureza ou heróis divinizados. Entre os Yorubás, era dada grande importância ao culto dos Orixás; uma característica dessa religião é a jovialidade dos deuses, que geralmente se mantinham bem distantes dos mortos. Já os Vodus do Dahomé, alguns dos quais chegaram ao Brasil trazidos diretamente pelos Jejes ou através da religião Yorubá, eram deuses austeros e temíveis, muito ligados a terra e à morte. Os Inkices, deuses dos Bantus, foram assimilados pelos Orixás Yorubás, que a eles pareciam. Como os Bantus foram trazidos para o Brasil desde o início da colonização e se espalharam por um vasto território, tendo grande contato com portugueses e índios, sua religião foi pouco a pouco se misturando ao xamanismo indígena e às crenças religiosas e mágicas européias. Por isso, enquanto a religião Yorubá foi renascendo e se reorganizando na Bahia, onde esse povo ficou mais concentrado, a religião Bantu foi amalgamada com inúmeros outros elementos, desde os rituais caboclos até o espiritismo abraçado pelas classes médias urbanas no final do século XIX, resultando numa religião totalmente nova e essencialmente brasileira. Portanto teve bastante influência ritualística e de pronuncias na nova religião chamada Umbanda. Nas Regiões Norte e Nordeste, as crenças africanas foram fortemente influenciadas pelas tradições ameríndias e européias, originando várias tradições religiosas e mágicas típicas dessas regiões do país.
Em suma, desenvolveu-se basicamente na Bahia, onde é mais forte, embora tenha representantes nas outras regiões do país. Sua estrutura foi determinada principalmente pela religião do povo Yorubá, mas também recebeu influências de povos do Dahomé e Congo, embora estas tenham sido incorporadas à base da religião Yorubá, cuja organização e culto foram reconstituídos quase sem a interferência de elementos cristãos e indígenas. Das centenas de divindades locais e regionais africanas, restou um pequeno grupo que resume os elementos essenciais da natureza e da vida humana.
Segundo os mitos mais divulgados, Olorum criou Ifá (o destino), Obatalá (o céu) e Odudua (a terra). Obatalá e Odudua tiveram dois filhos: Iemanjá (o mar) e Oxalá (a luz do céu). Estes dois a Grande Mãe e o Grande Pai geraram quase todos os Orixás que governam o mundo: Exu, Ogum, Xangô, Oxossi, Ossaim, Oxum, Iansã e Obá. Da união de Xangô com Iansã nasceu Ibeji e de Oxum e Oxossi nasceu Logunedé. Oxalá também se casou com Nanã, que gerou Omolu, Ewá, Iroko e Oxumaré; este é um grupo de Vodus (deuses do Dahomé) incorporados à religião Yorubá ainda na África.
Uma pessoa descobre quem é seu Orixá por vários motivos: quando algum desequilíbrio em sua vida a faz procurar auxílio religioso, quando o Orixá se manifesta espontaneamente se apossando de seu corpo, ou quando a criança ou o jovem é levado pela família para o interior do culto. Embora as características do Orixá possam aparecer em traços físicos e psicológicos, somente o Pai – de – santo pode identificá-lo com segurança. Na África, o Orixá era o ancestral mítico protetor de uma aldeia, de todas as suas famílias e, portanto, de todas as pessoas que aí nascessem. No Brasil, como os escravos tiveram seus grupos familiares despedaçados, precisaram reconstituir seus laços com os deuses. A solução encontrada foi o uso da intuição do Sacerdote, que através do jogo de búzios pôde identificar a filiação espiritual de cada um.
O objetivo do Candomblé é promover a harmonia total, física e psíquica, interior e exterior, dos fiéis. Para isso, conta com dois tipos de práticas. No culto público, a família espiritual formada pelos filhos – de – santo da casa ou terreiro se reúne periodicamente para, através do êxtase provocado por cantos e danças rituais, entrar em contato com os Orixás que governam suas cabeças, ligando-se ao arquétipo que alimenta sua vida psíquica. Para participar do culto público, os filhos – de – santo, após identificar seus Orixás, passam por um período de iniciação em que “morrem” para a vida comum, renascendo para a vida em contato com o Orixá, e passam por todo um processo de reeducação que simboliza a infância de sua nova vida. Depois dessa fase, o filho – de – santo assume o compromisso de realizar uma série de atividades destinadas a cuidar de seus deuses pessoais.
No culto privado, o fiel realiza uma série de práticas periódicas destinadas a cuidar de seu Orixá, incorporando ao seu quotidiano o elo de ligação com essa figura arquetípica. Estas práticas incluem o uso das cores e adereços característicos de seu Orixá, a oferta de alimentos e presentes em altar doméstico ou em locais externos adequados, o uso de banhos, perfumes e defumadores feitos das ervas que sintonizam com o Orixá. Os rituais de iniciação ao culto do Candomblé de Keto no Brasil se desenvolvem através das seguintes fases:
Bori
Da fusão da palavra bó, que em yorubá significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “oferenda à cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é lésè òrisà.
Feitura
O ritual de feitura de iniciação ao sacerdócio no Candomblé recebe vários nomes; fazer o santo, fazer a cabeça, deitar para o santo, aba baxé ori ou simplesmente oro, que é sinônimo de sacrifício e consagração. A pessoa que se inicia no Candomblé torna-se adoxu, ou seja, passa a possuir um oxu, que é o canal de comunicação entre o iniciado e seu orixá. Todo iniciado no Candomblé, toda pessoa “feita no santo” – do neófito ao sacerdote – é adoxu.
Feitura representa um renascimento; é o reconhecimento e a admissão do ori escolhido no orum. É o mesmo que entregar a cabeça (principio da individualidade) ao orixá (o deus maior de cada ser), permitindo que os deuses conduzam sua vida e seu destino. A feitura é um divisor de águas na vida e tudo será novo, inclusive o seu nome, pois todo o iniciado recebe um Orukó, ou seja, um nome dado por seu orixá.
Obrigações de um, três e cinco anos.
Nestas fases são ofertadas comidas aos Orixás, tendo seus sacrifícios e preceitos, é também o tempo ao qual o Iyawo utiliza para adquirir conhecimentos prévios (aprender a fazer comidas para os Orixás, aprender as rezas, aprender a tirar um ebó, aprender a montar uma mesa de bori, aprender a tratar o Orixá como um todo, participar os osés e orôs), para sua futura nomeação de Ebomy.
Obrigação de sete anos
A maioridade no Candomblé é atingida quando o Iyawo atinge os sete anos de iniciação. O ritual de passagem que se processa é chamado de Obrigação de sete anos (oyé ou deká). Nesse ritual o filho-de-santo deixa de ser yawô e passa a ser um ebomy, que quer dizer irmão mais velho, e recebe o cargo (oyé): seja de sacerdote, seja de autoridade na comunidade. Um filho-de-santo quando reconhecido pela comunidade como um membro importante pode ser emancipado e assumir essas funções antes de completar sete anos, mas a obrigação não pode ser adiantada. Lembrando sempre que ninguém pode dar o que não têm.
Em suma, desenvolveu-se basicamente na Bahia, onde é mais forte, embora tenha representantes nas outras regiões do país. Sua estrutura foi determinada principalmente pela religião do povo Yorubá, mas também recebeu influências de povos do Dahomé e Congo, embora estas tenham sido incorporadas à base da religião Yorubá, cuja organização e culto foram reconstituídos quase sem a interferência de elementos cristãos e indígenas. Das centenas de divindades locais e regionais africanas, restou um pequeno grupo que resume os elementos essenciais da natureza e da vida humana.
Segundo os mitos mais divulgados, Olorum criou Ifá (o destino), Obatalá (o céu) e Odudua (a terra). Obatalá e Odudua tiveram dois filhos: Iemanjá (o mar) e Oxalá (a luz do céu). Estes dois a Grande Mãe e o Grande Pai geraram quase todos os Orixás que governam o mundo: Exu, Ogum, Xangô, Oxossi, Ossaim, Oxum, Iansã e Obá. Da união de Xangô com Iansã nasceu Ibeji e de Oxum e Oxossi nasceu Logunedé. Oxalá também se casou com Nanã, que gerou Omolu, Ewá, Iroko e Oxumaré; este é um grupo de Vodus (deuses do Dahomé) incorporados à religião Yorubá ainda na África.
Uma pessoa descobre quem é seu Orixá por vários motivos: quando algum desequilíbrio em sua vida a faz procurar auxílio religioso, quando o Orixá se manifesta espontaneamente se apossando de seu corpo, ou quando a criança ou o jovem é levado pela família para o interior do culto. Embora as características do Orixá possam aparecer em traços físicos e psicológicos, somente o Pai – de – santo pode identificá-lo com segurança. Na África, o Orixá era o ancestral mítico protetor de uma aldeia, de todas as suas famílias e, portanto, de todas as pessoas que aí nascessem. No Brasil, como os escravos tiveram seus grupos familiares despedaçados, precisaram reconstituir seus laços com os deuses. A solução encontrada foi o uso da intuição do Sacerdote, que através do jogo de búzios pôde identificar a filiação espiritual de cada um.
O objetivo do Candomblé é promover a harmonia total, física e psíquica, interior e exterior, dos fiéis. Para isso, conta com dois tipos de práticas. No culto público, a família espiritual formada pelos filhos – de – santo da casa ou terreiro se reúne periodicamente para, através do êxtase provocado por cantos e danças rituais, entrar em contato com os Orixás que governam suas cabeças, ligando-se ao arquétipo que alimenta sua vida psíquica. Para participar do culto público, os filhos – de – santo, após identificar seus Orixás, passam por um período de iniciação em que “morrem” para a vida comum, renascendo para a vida em contato com o Orixá, e passam por todo um processo de reeducação que simboliza a infância de sua nova vida. Depois dessa fase, o filho – de – santo assume o compromisso de realizar uma série de atividades destinadas a cuidar de seus deuses pessoais.
No culto privado, o fiel realiza uma série de práticas periódicas destinadas a cuidar de seu Orixá, incorporando ao seu quotidiano o elo de ligação com essa figura arquetípica. Estas práticas incluem o uso das cores e adereços característicos de seu Orixá, a oferta de alimentos e presentes em altar doméstico ou em locais externos adequados, o uso de banhos, perfumes e defumadores feitos das ervas que sintonizam com o Orixá. Os rituais de iniciação ao culto do Candomblé de Keto no Brasil se desenvolvem através das seguintes fases:
Bori
Da fusão da palavra bó, que em yorubá significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “oferenda à cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é lésè òrisà.
Feitura
O ritual de feitura de iniciação ao sacerdócio no Candomblé recebe vários nomes; fazer o santo, fazer a cabeça, deitar para o santo, aba baxé ori ou simplesmente oro, que é sinônimo de sacrifício e consagração. A pessoa que se inicia no Candomblé torna-se adoxu, ou seja, passa a possuir um oxu, que é o canal de comunicação entre o iniciado e seu orixá. Todo iniciado no Candomblé, toda pessoa “feita no santo” – do neófito ao sacerdote – é adoxu.
Feitura representa um renascimento; é o reconhecimento e a admissão do ori escolhido no orum. É o mesmo que entregar a cabeça (principio da individualidade) ao orixá (o deus maior de cada ser), permitindo que os deuses conduzam sua vida e seu destino. A feitura é um divisor de águas na vida e tudo será novo, inclusive o seu nome, pois todo o iniciado recebe um Orukó, ou seja, um nome dado por seu orixá.
Obrigações de um, três e cinco anos.
Nestas fases são ofertadas comidas aos Orixás, tendo seus sacrifícios e preceitos, é também o tempo ao qual o Iyawo utiliza para adquirir conhecimentos prévios (aprender a fazer comidas para os Orixás, aprender as rezas, aprender a tirar um ebó, aprender a montar uma mesa de bori, aprender a tratar o Orixá como um todo, participar os osés e orôs), para sua futura nomeação de Ebomy.
Obrigação de sete anos
A maioridade no Candomblé é atingida quando o Iyawo atinge os sete anos de iniciação. O ritual de passagem que se processa é chamado de Obrigação de sete anos (oyé ou deká). Nesse ritual o filho-de-santo deixa de ser yawô e passa a ser um ebomy, que quer dizer irmão mais velho, e recebe o cargo (oyé): seja de sacerdote, seja de autoridade na comunidade. Um filho-de-santo quando reconhecido pela comunidade como um membro importante pode ser emancipado e assumir essas funções antes de completar sete anos, mas a obrigação não pode ser adiantada. Lembrando sempre que ninguém pode dar o que não têm.
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